"Este surpreendente pavilhão de exposições faz parte do conjunto de 4 edifícios ligados por uma marquise, passeio público, que constituem o “Parque do Ibirapuera”, projetado e construído, todo o conjunto, em 1953, por Oscar Niemeyer para as comemorações do IV centenário da fundação da cidade de São Paulo. Foi chamado por Niemeyer de “Palácio das Artes”. Um outro destes 4 edifícios, originalmente o “Palácio das Indústrias”, desde os anos 60, abriga a “Fundação Bienal de São Paulo”.

Este elegante edifício circular, como uma fina casca pousada no chão, é um dos mais belos espaços expositivos do mundo, revelando seu interior, por onde se penetra por uma pequena fresta, uma inesperada espacialidade, uma volumetria imprevista, silenciosa e agradável.

Este resultado e efeito se devem ao arranjo feliz de três sistemas estruturais nítidos e independentes, uma disposição espacial extremamente inventiva. Há a grande tênue envoltória da casca, apoiada, através de suas nervuras em arcos diametrais, diretamente no solo.

Há a surpresa do chão que se suspende no ar, quando se entra, pois surge um vazio produzido pelo rebaixamento total do piso circular inferior, criado com um cilindro de arrimo 5 m abaixo do nível dos jardins de entrada.

E há ainda mais dois pisos superiores com estrutura própria de pilares e lajes independentes das outras duas estruturas.

No último piso não existe estrutura alguma. Como uma pequena nuvem, a última laje flutua abaixo da cúpula que foge em todas as direções. É um resultado belíssimo devido à técnica da graça com que são empregados os três sistemas estruturais completamente independentes.

É uma das obras mais límpidas e singelamente monumentais de Niemeyer. E já de meio século passado. Fizemos tudo para conservá-la intacta. Como no desenho original do arquiteto."

Paulo Mendes da Rocha