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O projeto para o Pavilhão na Exposição de Sevilha representará o Brasil na Península Ibérica, onde teve inicio a aventura marítima nos quatrocentos. Trata-se de uma oportunidade de reflexão sobre o passado e as novas perspectivas para a humanidade: os novos descobrimentos. Nossa existência enquanto cultura e nação está ancorada nestes acontecimentos sucedidos na aurora da modernidade. No entanto, nossas heranças, sejam elas européias, africanas, asiáticas ou nativas, não conseguem, por si, explicar a riqueza e o caráter da cultura nacional, resultado de uma síntese criativa, onde o contributo de um novo homem se fez claro. Afirmar esta contribuição original nos parece ser o escopo deste projeto.
Nosso pavilhão deve ter como orientação necessária a cultura brasileira. As formas plásticas, as soluções técnicas, as alternativas construtivas devem expressar aquilo que há de original na arquitetura nacional. A opção deve ser por uma arquitetura que se desenvolveu baseada em uma visão brasileira, em um projeto para o país. A procura de formas claras, dos traços firmes e resolutos, da construção dos espaços de amplo uso coletivo, são suas características, sustentadas pela “idéia que o homem pode intervir arbitrariamente, e com sucesso, no curso das coisas e de que a história não somente acontece, mas pode ser dirigida e até fabricada”. Sergio Buarque, aliás, nos mostrou como de início era o impulso espanhol na colonização dos novos mundos, que demandavam a construção de cidades, de espaços de domínio e também de criação. Os portugueses, então largados à pura busca do ganho fácil, diferenciavam-se pelo desleixo com que erguiam suas cidades. O que resume a vontade criativa de nossa cultura é justamente o abandono deste anátema.
O projeto do pavilhão procurou assegurar uma escala baixa que fizesse o prédio aproximar-se do chão e do visitante. Um grande plano inclinado, que se inicia na Avenida Três, permite transpor a viga e chegar ao sub-solo – onde adotamos parte do programa como o auditório, depósitos e máquinas – que será utilizado como estacionamento a partir de 1993.
O pavilhão deve ser aberto – um convite ao descobrimento, ao uso coletivo – e ao mesmo tempo fechado. O térreo do edifício se confunde com o piso de Sevilha que entra livremente s esse transforma nas rampas, dando acesso ao plano inclinado que leva ao auditório e, acima, à sala de exposição e ao anexo do Itamaraty. Na cobertura, um terraço cercado por um espelho d’água, permite conforto aos usuários do restaurante e uma vista para cidade. Seu desenho leva em consideração que será observado por aqueles que estiverem passando pela telecabine do monotrilho.
A estrutura se resume em duas grandes vigas protendidas que buscam apoio em duas paredes – uma, junto ao Pavilhão de Portugal, vem do sub-solo e outra, sobre o plano inclinado é apoiada em dois grandes blocos em suas extremidades. As lajes nervuradas e as rampas serão armadas. A luz entra pelas paredes laterais, dando-lhes uma aparente leveza, e também pelo livre acesso do térreo. O pavilhão parece flutuar sobre o solo, apoiado apenas em três pontos.
Acreditamos que a construção da estrutura, e portanto do Pavilhão, aliada a tecnologia local, deverá ser de rápida execução.
Levamos a Sevilha este projeto.
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